Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]
Em vésperas de partir para uma semana de caminhadas nos Picos da Europa, algures nas Astúrias, norte de Espanha, com os companheiros do CAAL, deu-me para recordar uma atribulada viagem que fiz a Londres, em 2005.
Creio que já contei aqui neste blog, que numa altura em procurava namorada, comecei a corresponder-me com a Eugénia, (a que procurava um príncipe), alentejana do Cercal, que tinha emigrado para Inglaterra.
Depois de alguma troca de cartas e de fotografias, resolvi partir par Londres para conhecer pessoalmente a senhora e para conversarmos sobre o nosso futuro.
Dito e feito. Procurei uma agência de viagens com preços em conta (avião e estadia com P/A). Lá encontrei uma que me convinha (não me recordo do nome da agência), que infelizmente era uma filial espanhola, mas só soube disso mais tarde. Depois de acertados os pormenores, deram-me vários hotéis a escolher, e decidi por um perto do centro de Londres (também não recordo o nome do hotel). Depois de tudo tratado, paguei cerca de 300 euros por um fim de semana, com regresso na 2ª feira às 14 horas.
Estávamos em dezembro, às portas do Natal. Escrevi á Géna a dizer quando ia, e combinámos que ela iria ter ao hotel, a uma determinada hora da tarde de sábado.
Parti de Lisboa cerca das 9 da manhã e cheguei ao aeroporto Heathrow perto das 11 horas.
Como também já tenho dito, o meu inglês é uma desgraça, e a minha maior preocupação era essa. Será que me farei entender com os súbitos de Your Magesty?
Depois de sair do avião, dirigi-me para a saída, sem quaisquer entraves burocráticos, lá estava um sujeito com um pequeno cartaz com o meu nome e de mais duas pessoas. Era o nosso motorista de transfer. Seguimos para uma carrinha que nos esperava. Arrumámos a bagagem e instalámo-nos. Seguimos viagem para Londres. Não sabia que o aeroporto ficava (lá onde o diabo perdeu a mãe) tão longe da cidade (30 kms). Auto estrada fora, paisagens bonitas, (sem portagens), transito intenso e a fazer-me um pouco de confusão a ver aqueles carros todos, com volante á direita e a seguirem na via da esquerda. Lindo e louco.
O motorista falava um espanhol pior do que o meu, mas dava para nos entendermos. Chegados a Londres, eu olhava para tudo, um pouco espantado e admirado pela beleza da cidade. As outras duas pessoas (eram um casal jovem), lá ficaram num hotel no centro, e o motorista seguiu viagem para me deixar no meu hotel.
Começou a minha odisseia.
Já eram quase 13 horas, e eu começava a ter fome, quando o motorista finalmente disse que me ia levar ao meu hotel.
Tretas. O homem andou quase por meia Londres durante quase 2 horas e o meu hotel não aparecia em lado nenhum. Ao princípio ainda achei piada á situação. Mas depois comecei a ir aos “arames”, e tratei de fazer ver isso mesmo ao homem, e que não estava a gostar nada do assunto. Se o hotel ficava no centro de Londres, porque carga de água é que andávamos ali às voltas? Eu já não via mais nada, só mandava vir com o homem, e estava com uma fome danada. Que não senhor, o hotel não ficava no centro, mas sim na periferia da cidade. É que havia 3 hotéis com o mesmo nome, mas com terminologia diferente, e o meu ficava em “cascos de rolha”, e ele não dava com o sítio. Finalmente parou e chamou um táxi (um dos célebres táxis da city), e perguntou ao taxista se me podia levar lá. Claro que o homem aceitou logo. O meu motorista dá-me 10 libras para pagar o táxi, pede desculpa pela situação e vai-se embora, deixando-me algures em Londres. (Porreiro pá como dizia o Sócrates). O táxi lá seguiu, e depois de mais umas quantas voltas, apercebi-me que o taxista estava a dar voltas ao mesmo sitio umas quantas vezes e comecei a protestar, que não podia ser, se e ele me achava com cara de saloio? Claro que o homem não percebeu nada do que eu disse, mas percebeu que eu o tinha topado (a enganar o otário, como fazem alguns taxistas em Lisboa). E pouco depois lá estava o hotel, de 4 estrelas, nada mau. Apresentou-me a conta: 28 libras. Ia caindo pró lado. Que nem pensasse. Eu não ia pagar, depois baixou para 22 libras, que não podia baixar mais, era o que marcava. Exigi-lhe um recibo da corrida, o que ele concordou. Eram quase 4 horas e já estava a arder com 12 libras, (10 era o que o outro me tinha dado). Dirigi-me á receção, apresentei os meus papéis da agência, e lá me levaram para a minha suite. Finalmente cheguei. Pouco depois liguei para a Géna, pelo telemóvel, mas foi um problema falar com ela, por causa da minha dificuldade auditiva. Venho cá fora e pergunto se alguém fala português ou espanhol. Nada só ingleses. Até que uma das empregadas chamou alguém, e não é que era um empregado português? Respirei de alivio, e expliquei ao rapaz a situação, e ele fez o favor de explicar á Géna, pelo telefone, onde é que eu estava e como se ia para lá. Enquanto esperava, fui comer qualquer coisa no bar, a fome já tinha abrandado, uma sande e uma cerveja foram quase 10 libras (vou sair daqui arruinado). Naquela altura a libra valia mais do que o euro.
Enfim. Géninha chegou. Houve beijos e abraços. Pedi desculpa da situação. Conversámos um pouco, já era noite, embora só fossem 18 horas. Combinámos para o dia seguinte, domingo. Eu ia ter á estação de Waterloo, por volta do meio dia. Explicou-me se ia para lá. Havia uma estação de metro perto do meu hotel, Hammersmith & City Line, seguia até Aldgate East, District Line, mudava de comboio para Embankment e continuava até Waterloo & City.
Nada mais fácil. Vai ser giro! Nem jantei. Só de pensar no que ia gastar, perdi o apetite. De manhã cedinho dirigi-me á sala de jantar para o pequeno-almoço, mas um empregado barrou-me a entrada. Era preciso um ticket para poder comer. Lá fui á receção, e mais por mimica do que a falar, lá me deram o ticketezinho, que devolvo ao empregado do restaurante, e depois eia perdendo o apetite outra vez. É que olhei par o relógio a ver se era de manhã ou de tarde. É que estava tudo a encher pratos e mais pratos de comida, que era um disparate. Depois lembrei-me. Isto é um pequeno-almoço á inglesa, eles não almoçam, só comem uma “bucha” e uma bebidazita. Tratei de comer o mais que pude, porque não sabia o que me esperava no resto do dia. Segui para o metro (eu tinha comprado em Lisboa, um passe de fim de semana que dava para os transportes públicos todos). Já dentro do comboio tentei explicar a um grupo de ingleses para Waterloo, e logo um deles me disse, follow us, we also go there. Gajos porreiros. Fixei as paragens todas, para depois saber voltar.
Ainda não eram 10 horas quando cheguei a Waterloo. Aquela estação é um mundo, com gente de todas as raças e idiomas. Dizem que em Londres se falam mais de 300 línguas.
Enquanto esperava, tentei orientar-me, e saí para a rua. Estava frio, não muito, e não chovia, nem havia o célebre nevoeiro londrino. Por acaso até fazia sol. Não me afastei muito, nem era preciso. Estava ali quase tudo a dois passos. A roda gigante com uma fila de espera monstruosa, 15 libras cada pessoas, e uma espera de quase uma hora para entrar. A roda leva um pouco mais de meia hora para dar uma volta completa. Não arrisquei. Ainda ia perder o contacto com a possível futura namorada. Procurei um café. Nada só serviam cafés com leite e em canecas de quase meio litro. Por fim, mesmo juntinho ao Tamisa, havia um quiosque que servia café expresso, como as nossas “bicas”. Todas as empregadas eram orientais. Entrei em várias lojas ao longo do Tamisa, não me afastei muito da estação para não me perder, e essas lojas eram quase todas de chineses, indianos ou paquistaneses e de outros muçulmanos e de naturais do Leste. A torre de Londres com o Big Ben estava na outra margem, o rio ali é estreito e a ponte que liga as duas margens era fácil de passar. Voltei á estação, e percorri as milhentas lojas que á por lá, tudo muito caro para a minha bolsa.
E a Géna chegou. Ela morava em New Maldeh Surrey, a pouco menos de meia hora de Londres, o meu passe até dava para lá. E fomos conhecer um pouco de Londres, muito pouco mesmo, não havia tempo para mais. E passamos a ponte mesmo ao lado da Torre, e fomos ao Palácio de Buckingham, residência da rainha, e aquela avenida enorme que leva ao palácio, rodeada de palacetes, tirámos fotografias, passeamos e conversámos, e apesar de ter comido bem ao pequeno almoço, já estava outra vez com fome, e disse-lhe vamos almoçar em qualquer lado, e disse ela, aqui não se almoça, (eu já sabia), vamos a minha casa e jantamos lá. (chi mãe, vou tar até á noite sem comer?). Voltamos a Waterloo e apanhámos o comboio para a terra dela . É uma cidade, assim tipo Amadora. Saídos do comboio, apanhamos um autocarro, daqueles de 2 andares, e chegámos a casa. Estavam as filhas, uma de 13 anos e outra de 20 e mais o genro e mais um cão rottweiler enorme, mas manso (felizmente) como um gatinho.
Convém dizer que a senhora era divorciada, nada de mal entendidos.
A filha mais nova era grande adepta do Benfica, e eu já ia preparado com algumas prendas para elas, sendo que para a mais nova eu levava um relógio com o emblema do Benfica. Ficou contente e triste, é que o relógio não funcionava. Eu tinha esquecido de comprar pilha. Ora bolas. Enfim, lá jantámos, perto das 6 da tarde, frango frito e acompanhantes. Estava mesmo bom. E chegou a hora da despedida.
Nada ficou decidido, quanto ao namoro. Ela viria a Portugal nas férias, e entretanto continuámos a escrevermo-nos.
Já noite cerrada, parti para Londres, sozinho, e felizmente não me atrapalhei com os comboios do metro, e cheguei rapidamente ao hotel. No dia seguinte, 2ª feira, o motorista ia-me buscar ao meio dia, para seguirmos para o aeroporto. Saí cedo para a rua, e fui para o centro de Londres, desta vez sem ajuda, o passe já não dava, e tive que comprar bilhetes do metro. Era dia de trabalho, mas havia centenas de pessoas nas ruas. Continuava a estar bom tempo. Comprei umas miniaturas de um Mini, de um autocarro e de um táxi, que estranhamente até nem foram muito caros.. Voltei ao hotel para esperar pelo motorista. Lá apareceu a mesma carrinha, mas o motorista era outro, que também falava algum espanhol. Seguimos e expliquei-lhe o que se tinha passado com o colega, e que queria que me pagassem o dinheiro do táxi, e que em Lisboa ia apresentar queixa e exigir que me indemnizassem pelo tempo perdido á procura do hotel. Fez um telefonema, que sim senhor, eu tinha razão, deu-me o dinheiro do táxi, dei-lhe o recibo e chegámos a Heathrow. Entrei no aeroporto, fiz o check in e fiquei á espera do meu avião. Estava com mais de uma hora de atraso. Quando fui para a sala de embarque, houve uma situação caricata. Quando esta a passar no controle das bagagens eu não levava muita coisa, pus a mala no tapete rolante e passei a barreira. Assim que passei, o alarme disparou, saltaram logo meia dúzia de seguranças que de pronto me rodearam com ar ameaçador, revistaram-me logo ali, dos pés á cabeça, as pessoas a olharem para mim como se eu fosse um terrorista, e deram com o gato na minha algibeira, que era o telemóvel que estava ligado. Lá se resolveu a crise, as pessoas já me olhavam de outra forma; olha pá, são coisas que acontecem. E ao fim da tarde de 2ª feira cheguei a Lisboa.
,
A ex mulher-a-dias do PCP anda a borrar ainda mais a sua carantonha feia
Como é que tão vil personagem conseguiu singrar na política? De todos os dissidentes do PCP, que, com ou sem razão se afastaram do partido (ou foram expulsos), esta “senhora” leva a palma a todos eles. Nos jogos olímpicos da política, de certeza que ganharia a medalha “Grande Lata de Ouro”. Depois de ser mandada às "malvas", os políticos de direita rejubilaram, o “marocas” incluído, e logo lhe ofereceram mundos e fundos para continuar a trair quem lhe ensinou o que é vida. Não aprendeu nada, apenas consumiu veneno que agora destila por todos os poros. Vem isto a propósito do seu incrível anúncio de que a “fnac” montava aparelhos de ar condicionado, equipados com microfones espiões nos gabinetes dos nossos (des) governantes. De certeza que a “senhora” não bate bem da bola, ou então anda a ler os maus livros de espiões de cordel, que publica na sua editora.
Se calhar, já tinha avisado os “camarradas” do seu atual partido, que o homem do ar condicionado, A. A., tinha os painéis solares virados para algum satélite espião, que depois transmitia talvez, sei lá, para a China ou para o Irão, e por isso recusaram o crédito para ele desenvolver o negócio
Se quiserem saber mais de tão escabrosa criatura, leiam aqui na net, “A rota da grande dissidente”, ou “Cantigueiro”Era o vinho, meu deus, era o vinho”, que nos leva a um anúncio do Pingo Doce, interpretado pela zita “senhora”
Se o Álvaro ainda fosse vivo, de certeza que morria de um ataque cardíaco.
“Mais do que palavras, ler é saborear
Histórias tristes e belas, cenários de encantar
Mais do que ciência, ler é experimentar
Ler é sobretudo prazer...prazer de ler
Ler é não ter medo, ler é liberdade,
Ler é ser honrado, ser nobre, ser elevado
Ler é viajar, por terra, por rio, por mar
Ler é sobretudo prazer...prazer de ler
Ler é ser capaz, ler é ser audaz
Ler é arriscado, por isso tem cuidado
Ler é vaguear de dia ou ao luar
Ler é sobretudo prazer...prazer de ler
Ler é mais que tudo que possas imaginar
Ler é ser alguém, alguém que tem para dar
Dar e receber, dar para viver
Ler é sobretudo prazer...prazer de ler”
Eliseu Alves
Dentro do silêncio que habitualmente me rodeia, olho as minhas estantes repletas de livros, que quase todos os dias falam comigo, e sinto um prazer quase imoral, por amar todos eles. Para mim são como seres vivos, que ganharam um lugar no meu coração
Lembro-me de um dia, a minha mãe me perguntar para que é que eu queria tantos livros? Não recordo o que lhe respondi, mas sei, sempre soube, que todos estes livros que me rodeiam me contam histórias da vida, relatam aventuras que gostava de ter vivido, que me ensinaram e formaram, em grande parte, a minha maneira de ser.
Já chorei, já ri descontroladamente, já os detestei, e até já os desprezei um pouco quando os lia, mas sempre os amei.
Tenho muitos livros (mais de mil), que ainda não li, nem sei se os vou conseguir ler todos, porque, agora na curva descendente da vida, já tenho alguma dificuldade em ler durante muito tempo seguido, e penso no dia em que partir, (mas ainda falta muito tempo para isso), o que será deles?
Tenho uma família numerosa e bonita, e sei que quase ninguém (dos mais novos) adora os livros como eu, e por isso temo por eles.
São, principalmente, livros policiais, mas também, romances, livros de estudo, banda desenhada, ficção cientifica, enciclopédias, western, e de tudo um pouco.
Dizem que o verão é altura para pôr a leitura em dia. Pois comigo não é assim.
O verão é tempo de praia, de passear nos campos, de estar com os amigos em amena cavaqueira, de caminhar ao longo dos rios, de subir às montanhas e ver no horizonte este mundo bonito, que homens como os nossos governantes teimam em destruir.
Tenho estado a ler, muito devagar, vários livros. Leio um pouco de o “Artista da morte” de Daniel Silva, largo, e vou ler “Os detetives Selvagens” de Roberto Bolaño, perco a paciência, e vou reler “A volta ao mundo em 80 dias”, de Júlio Verne, e este dá-me um gozo tremendo, com as peripécias de Passepartout e de Phileas Fogg, fazendo-me voltar á minha juventude.
Acho que já “falei” aqui, da minha ex-colecção Vampiro. Eu era uma das poucas pessoas neste país que tinha a coleção completa, (cerca de 700 livros), que levei mais de 20 anos a completar, e que, por um momento de desvario e de amor, me desfiz deles, oferecendo-os a quem não os mereceu.
É o único arrependimento da minha vida. Mas está feito.
Em Maio passado, passeava com a minha sobrinha Ana Patrícia, na Feira do Livro em Lisboa, quando passámos por um stand de um alfarrabista, que tinha cerca de 50 livros Vampiros a um preço quase irrecusável. Comprei-os quase todos, e dei início a uma nova coleção, que neste momento, passados pouco menos de 3 meses, já são 390 livros Vampiro. Espero conseguir novamente, completar a coleção em menos de um ano. É que também tive a sorte de encontrar um vendedor na feira da Ladra que me tem arranjado os livros que já possuo, a um preço muito em conta. Em boa verdade, aqueles quase 400 livros já me custaram uma boa “maquia”, pois que tive que prescindir de outros bens, para os poder comprar.
Mas, como diz o ditado, “quem corre por gosto não cansa”, e só a alegria de voltar a encontrar velhos amigos como a Agatha Christie e o seu Poirot, o Perry Mason de Erle Stanley Gardner, e também o gordo Nero Wolf de Rex Stout ou o inspetor Maigret de Georges Simenon. Todo o dinheiro é pouco (não é bem assim claro), para voltar a estar com aqueles autores fabulosos, e muitas dezenas de outros.
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.