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Noite em branco
Espero a madrugada
Saio e caminho
Noctívagos
Apressados
Chego.
Olá
Como estás? Como estão?
Sorrisos, abraços
Amigos
Partimos, chegámos
Na madrugada
Á luz dos archotes
Um chá quentinho
Rompe a aurora
Partida
O sol tarda
E não vem
Numa marcha de fortes
Caminhamos na madrugada
Fui dormir ao Bairro Alto. Numa pensão, mesmo por baixo da minha antiga casa, agora fechada, sem ninguém, escura e triste.
E às 5 da matina esperei o autocarro da madrugada que não chegou. Ainda gente passava vinda das discotecas. Um toxicodependente, de lanterna na mão, procurava beatas de charros no chão das ruas do Bairro Alto. Fui de táxi para sete rios.
E às 7 lá partimos da Quinta Vale do Corvo, para a grande Marcha dos Fortes. A alvorada tardava. Depois de alguns quilómetros quase sempre a subir, lá rompeu o dia, sem sol, mas fresco, o que era desejado por quase todos os cerca de 420 caminhantes da marcha, pois é o ideal para uma grande caminhada.
E fomos percorrendo alguns dos fortes das linhas de Torres. E no percurso do general Wellington, em plena Serra do Socorro chegámos ao Forte Grande da Enxara onde nos esperavam uns sumos, água e pastéis de feijão. Comam pastéis de feijão. Depois de um breve descanso continuámos até ao Forte de Alqueidão, percorridos que foram 20 kms. Eu já estava arrumado. Mal podia com as pernas. Almoçamos a habitual massa guisada com carne, as peras da região, sumos e arroz doce.
Resolvi que não ia continuar. Fui para o autocarro com mais uns 30 companheiros que também não aguentaram a pedalada e levaram-nos até á Carvalha. Foi uma hora e tal de descanso e quando os caminhantes começaram a chegar para mais uns minutos de repouso, enchi-me de brios e de coragem e parti com eles e chegámos ao Forte da Carvalha. Perdi 7,5 kms mas fiz os restantes 15. E ainda bem que os fiz. Sentia-me bem e com força. E deu para apreciar melhor a região do oeste, passando por vinhas, pomares e também por algumas figueiras e milheirais. E lá no alto, perto do Forte Calhandriz, um velho moinho recuperado estava a funcionar e a fazer farinha. Quem não fez farinha fui eu e continuámos a andar até ao Forte do Arpim. Mais uns sumos e uns gomos de laranja, e uns aperitivos salgadinhos para espevitar. E lá fomos para a etapa final, agora sempre a descer, até Bucelas. A descer é sempre a aviar. E como sempre, fomos recebidos em apoteose pela fanfarra dos bombeiros de Bucelas, e um copinho de vinho branco da região. Seguiu-se o repasto. Uma espectacular sopa de peixe e una bela bifana em pão saloio. Terminou em beleza com algumas companheiras e companheiros a dançarem ao som de bonitas músicas latinas. Em grande.
O pior foi hoje. Acordei às 10 da manhã e quando me levantei gritei um longo aiiiiiiiiiiii. Mal me podia mexer. Todo o corpo me doía, ainda dói. Parece que levei uma grande tareia. Mas valeu a pena. Só mesmo para gente forte.
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