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Sábado 26 de Outubro.
Programei o alarme do telemóvel para as 5,45 h, para poder apanhar o comboio às 7, e chegar á hora marcada a Sete Rios para seguirmos para Conimbriga.
Algures na madrugada, um primo que eu já não vejo á séculos, diz-me que a Leila me quer conhecer. No momento seguinte oiço um leve roçagar, e sinto uns lábios tocando os meus. Estremeci de indizível prazer pela suavidade dos lábios de quem me beijava. Abro os olhos para ver quem assim me acaricia e a Leila desapareceu na escuridão do meu quarto. Quem será a Leila?
Olho o mostrador do telemóvel e dou um salto para fora da cama. Eram 6,30 da manhã. Estou tramado. Não vou chegar a tempo a Lisboa. Visto-me às 3 pancadas, lavo-me de qualquer maneira, pego na mochila (preparada na véspera) e no saco do lixo, (quando saio de casa nunca deixo ficar o lixo), saio porta fora e galgo as calçadas até á estação do Fogueteiro em menos de um fósforo. Quase a chegar, sinto a vibração do telemóvel na algibeira e pergunto-me quem me estará a enviar SMS a esta hora? Tiro o telemóvel do bolso e lá estava o alarme a piscar. Eram 5,45 h da manhã. E eu na estação, a olhar aparvalhado a olhar para o mostrador, de mochila às costas e com um saco de lixo noutra mão.
O que é que eu estou aqui a fazer com um saco de lixo na mão?
Aquele estranho sonho fez-me ver 6,30 h quando eram apenas 5,30h. Bom! Paciência. Ponderei voltar a casa e tomar o pequeno-almoço, mas cansado como fiquei por subir aquelas ruas em alta velocidade, acabei por ficar por ali a ver outras pessoas a chegarem para irem trabalhar ou para viajarem. Fui largar o lixo no contentor. Raios partam o lixo.
Fiquei com saudades da Leila
Claro que cheguei mais cedo a Sete Rios e fui tomar o pequeno almoço ao terminal da rede de expressos.
Dirigi-me ao ponto de encontro, e lá estavam os meus óptimos companheiros e companheiras de inolvidáveis caminhadas. E partimos para mais uma.
E fomos caminhar no passado, mais concretamente no século II A.C., pelas ruínas da cidade luso-romana de Conimbriga.
Merendámos por lá e voltámos ao presente. Isto é: fomos fazer o nosso percurso pedestre e começámos em Poço das Casas, lugar assim chamado, pela existência de um poço que abastecia os viajantes que seguiam para Coimbra e Tomar. O poço ainda lá está, mas tapado. E começamos a subir (só podia ser) por caminhos e trilhos até á Serra de Janeanes em Terras de Sicó. E lá fomos, subindo, subindo e subindo. A dada altura um companheiro distraído, não se baixou o suficiente ao passarmos por baixo de uma árvore tombada no caminho, e zás, uma grande trolitada e uma enorme dor de cabeça. Ficou meio zonzo, mas depois de devidamente tratado e com a cabeça enfaixada, lá continuámos a ascensão. Pouco depois , houve neutralização, e alguns companheiros e eu, regressámos ao autocarro. Desta vez fraquejei, em parte devido á minha corrida matinal, mas também ainda com alguns problemas musculares devido á grande Marcha dos Fortes á 15 dias atrás.
Os outros companheiros continuaram a caminhada e nós ficámos por ali, perto do poço, a ver as cabras a pastarem e os patos a nadarem num ribeiro próximo
Finalmente, perto das 20 horas partimos de regresso a Lisboa, no autocarro, e pouco depois,já em plena auto estrada, o nosso motorista, excelente pessoa e um grande profissional (não sei o nome dele), apercebeu-se de uma anomalia no funcionamento da viatura e de imediato encostou á berma da estrada, em boa hora, pois o autocarro ali morreu, tendo ficado sem energia eléctrica. Logo surgiram de várias mochilas, algumas lanternas e frontais que foram estrategicamente para a rectaguarda do autocarro para assinalar a nossa presença ás viaturas que passavam. O local era escuro como breu. Fizeram-se as devidas comunicações via telemóvel e algum tempo depois apareceu uma viatura de assistência na estrada que passou a iluminar o locar da ocorrência. Apagaram-se as lanternas e preparámo-nos para passar pelas brasas enquanto esperávamos outro autocarro. Qual? Ninguém dorme esta noite, contaram-se anedotas e outras peripécias, havia risos a bandeiras despregadas, e finalmente, uma hora e tal depois, vindo de Fátima, (não foi a nossa senhora), chegou o novo autocarro, e partimos para o final da nossa actividade. Foi mais um grande dia, em óptima companhia, como é sempre em todas as caminhadas e não só, organizadas pelo meu clube, o CAAL.
Agora só me falta tentar saber quem é a Leila do meu sonho.
A recordação daqueles lábios sedosos não me abandona um momento.
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